AC Milan e Inter, um dérbi 'Della Madoninna' pelo 'scudetto'

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A época de 2022/23 promete muito mais do que o 'clássico' em Milão: uma luta pelo título entre os dois rivais, que partilham o mesmo Estádio San Siro, mas que ao longo de mais de um século de história são antagonistas. Os últimos anos assistiram a um 'reerguer' dos dois emblemas, que alternaram a conquista do título, o Inter Milão primeiro, em 2020/21, o AC Milan depois, em 2021/22, com ambos a sucederem a um domínio avassalador da Juventus. Após uma série de nove títulos da 'Juve', de um total de 19, o Inter, então de Antonio Conte, resgatou o título que lhe escapava há 10 anos, numa época em que se começou a mudar o paradigma, com o AC Milan como 'vice' -- posições invertidas na última época. Para 2022/23 não é, assim, de estranhar que sejam estas as equipas que partem na frente da 'corrida', com Stefano Pioli (AC Milan) e Simone Inzaghi (Inter) a manterem-se no comando técnico de ambos os conjuntos. Nos 'rossoneri', o português Rafael Leão, eleito o melhor jogador da última época, é um nome forte, numa equipa que viu sair Kessié (FC Barcelona) ou Romagnoli (Lazio), mas que se reforçou com a promessa belga Charles De Ketelaere. Outro reforço é o compatriota Divock Origi (ex-Liverpool), numa época em que a equipa continua a contar com Ante Rebic, Giroud, Florenzi ou Júnior Messias, e ainda espera por Ibrahimovic, que, aos 40 anos, recupera de lesão. No Inter, destaque para o regresso, por empréstimo do Chelsea, do goleador Romelu Lukaku, nuclear no título de 2021 (24 golos), além da chegada do experiente médio arménio Henrikh Mkhitaryan (ex-Roma) e do jovem albanês Kristjan Asllan, cedido pelo Empoli. Reforços que trazem mais opções a Simone Inzaghi, numa formação em que o avançado internacional argentino Lautaro Martínez deve continuar a 'brilhar' nos 'nerazzuri'. Atrás das equipas de Milão aparece a 'crónica' Juventus, novamente sob o comando de Massimiliano Allegri e que viu regressar Paul Pogba, depois de seis épocas no Manchester United, passando ainda a contar com a 'estrela' argentina Di María e com o sérvio Filip Kostic, proveniente do Eintracht Frankfurt. Na 'Juve', importante também é a entrada de Bremer, central ex-Torino, contratado a troco de 41 milhões de euros, e que no eixo da defesa deverá substituir Matthijs De Ligt, transferido para o Bayern Munique. Allegri terá de gerir a equipa, e a sua candidatura ao 'scudetto', sem Paulo Dybala (na Roma), Demiral (na Atalanta) ou Bernardeschi (no Toronto, da Liga norte-americana), numa época em que se perfila como 'outsider'. Um papel que poderá, igualmente, servir à Roma, de José Mourinho e Rui Patrício, este ano aparentemente mais forte e a poder intrometer-se -- com a chegada de Dybala, de Matic ou Wijnaldum, apesar das perdas de Florenzi (AC Milan) ou de Mkhitaryan (Inter). Menos impactante parece o Nápoles, histórico emblema do sul, cujo último título já tem 32 anos e ainda é do tempo de Maradona, lendária 'estrela' argentina que esteve nos dois únicos 'scudettos' napolitanos (1987 e 1990). A equipa, do português Mário Rui e treinada por Luciano Spaletti, 'perdeu' Koulibaly, Insigne, Milik e David Ospina e reforços como os centrais Min-jae Kim (ex-Fenerbaçe) e Ostigard (ex-Brighton) ou o médio Anguissa (ex-Fulham) precisam de se afirmar. Ainda das equipas da frente, a Lazio (quinta na última época) viu chegar o guarda-redes luso Luís Maximiano, mas também Alessio Romagnoli (ex-AC Milan), Matías Vecino (ex-Inter) ou Marcos Antônio (ex-Shakthar), numa equipa em que o 'capitão' Ciro Immobile, melhor marcador da última Serie A, é 'rei'. Com uma época menos conseguida em 2021/22, em que terminou em oitavo e falhou as competições europeias, a Atalanta deverá ter como meta voltar a colocar-se no top-4, que lhe deu a presença na Liga dos Campeões nas três épocas anteriores. Novamente sob o comando de Gian Piero Gasperini, a equipa de Bérgamo assegurou as permanências de Demiral (ex-Juventus) e Boga (ex-Sassuolo), e recrutou Éderson (ex-Salernitana) e Lookman (ex-Leipzig), num plantel em que continuam a 'brilhar' Zapata, Muriel ou Ilicic. Para a época, em que Monza, Lecce e Cremonese são as equipas provenientes da Série B, Fiorentina, Hellas Verona, de Miguel Veloso, Sampdoria, Sassuolo ou Torino são emblemas cujas ambições ainda se situam no meio da tabela para cima. A Série A de 2022/23, que arranca no sábado, deverá ficar ainda marcada pela estreia de uma mulher como árbitra, com o comité nacional de árbitros a contar com Maria Caputi, o que significa que a mesma poderá ser indicada para jogos do principal escalão.

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