João Paulo e o final de carreira: "Queria acabar bem, não a arrastar-me"

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"Eu deixo o futebol praticamente por questões familiares. Os meus colegas e a minha esposa estão tristes e queriam que eu continuasse -- e penso que teria ainda condições para continuar -, mas chegou a hora. Já tinha ponderado há alguns anos e acho que é o momento certo. Queria acabar bem, não a arrastar-me", contou, em entrevista à Lusa.

João Paulo colocou um ponto final a uma carreira de 25 anos enquanto sénior, iniciada no União de Leiria, com passagens por União de Tomar, Sporting, FC Porto e Vitória de Guimarães, atuando no estrangeiro, por Rapid Bucareste (Roménia), Le Mans (França), Omonia, Apollon Limassol e AEL Limassol (Chipre), antes de rumar ao futebol distrital.

"O sentimento é de dever cumprido. Tenho a noção de que me esforcei ao máximo em todos os clubes por onde passei, para os poder projetar da melhor forma. Deito todos os dias a cabeça na almofada com esse sentimento, sem dúvida nenhuma", expressou.

Prova disso foi nunca se ter deixado deslumbrar em plantéis repletos de 'craques', que acabaram por vingar no futebol, como os casos dos jovens Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma, com quem alinhou nos 'leões' e, com o segundo, igualmente nos 'dragões'.

"Felizmente, sempre tive os pés assentes na terra. Fui dando um passo de cada vez e nunca meti as coisas muito altas. Como profissional levava as coisas muito a sério, mas também sabia a qualidade que havia nas equipas. Quanto maior fosse a equipa, mais qualidade havia. Não me arrependo de nada e foi tudo bom. Houve opções que podia ter feito de maneira diferente, com certeza, mas agora não dá para voltar atrás", disse.

Aos 36 anos, João Paulo saiu do principal escalão cipriota e retornou a Portugal devido a um problema de saúde da esposa, o que proporcionou um convite de um amigo para ir "fazer umas brincadeiras" ao Marinhense, do campeonato distrital de Leiria, no qual ficou três temporadas, a que se seguiram mais cinco no Castrense, da distrital de Beja.

"Ter ido para a distrital foi a melhor decisão que tive nos últimos tempos. Adorei jogar na distrital de Leiria e de Beja. Vai custar-me, mas tenho a vantagem de as pessoas de Castro Verde gostarem muito de mim -- e é recíproco -- e vão deixar-me estar algumas vezes no balneário, que é a parte que mais gosto. Já não desfrutava muito da parte do treino, tinha muitas dores. Foi a melhor altura, mas continuo a ir ao balneário", frisou.

Nestas 'aventuras' no futebol distrital, João Paulo chegou mesmo a trocar o centro da defesa pelo ataque, uma mudança que "correu bem", facilitado pela experiência e em saber "como os centrais pisavam", num escalão onde considera haver muita qualidade.

"Apanhei jogadores de qualidade que, por uma coisa ou outra, não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive. Ainda agora no Castrense, há lá pelo menos dois jogadores que, se tivessem sido trabalhados, têm ali qualquer coisa de diferente. Podiam ter sido profissionais de futebol e isso encontra-se em várias equipas", notou o veterano atleta.

Finda a carreira, João Paulo pretende agora "estar um pouco perto da família" e usar o tempo em casa "para dar um apoio" à esposa, embora já tenha recebido convites por parte dos responsáveis do Castrense para continuar envolvido com a equipa principal.

"No clube convidaram-me para ser diretor desportivo, mas só me meto nas coisas de cabeça. Para ser diretor desportivo, tinha de acompanhar a equipa a toda a hora, mas para isso eu continuava a fazer o que queria, que era jogar. Nesta fase, tenho de estar um pouco perto da família e dar um apoio à minha esposa", sentenciou o desportista.

 

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